Terça-feira, 13 de Maio de 2008

SEM BARCOS NEM AMEIAS





Nesta ilha rodeada de sonhos

lutaremos como somos

onde estamos


Ouvidos colados

neste chão de areias

até as searas renascidas

em festa de timbres

respiram fundo a intimidade

da terra lavrada


O nosso lugar é a partir daqui

na combustão de cada instante

porque este mar precisa

ser fecundado

às mãos cheias

na aragem limpa

por cima dos horizontes


Nesta ilha esta água

precisa de gestos simples

e um arado


só então será de beber

ou corpo de mulher


Nesta ilha meu amor

o nosso lugar é aqui

na vibração táctil do lume

na luta que tempera

frutos lentos

sem ameias


e se tivéssemos um barco

ai se tivéssemos um barco


como seria inútil

este mar

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

CAVALGAR O VENTO






Estas ondas navegáveis

sempre a chegarem e a partirem

seguem o itinerário minucioso

que resiste

ao despontar das marés



precisamente



no silêncio

onde melhor se ouve Tchaikovsky

desmaiam dunas

e nidificam os sonhos



Chegávamos e partíamos

como se as mãos apenas servissem

para dar de beber às fontes



Chegávamos e partíamos

asas soltas na sombra dos barcos

descontentes mas cantávamos

músicas fundas erguidas

tão limpas de areias



Na intermitência do tempo

onde desaguam submersos outros poentes

cavalgamos o vento

para a água seguir

os nossos passos




Sábado, 3 de Maio de 2008

ÁGUAS LENTAS








Neste rio correm memórias

por um fio



tão lentas as águas

que apenas soletro

os silêncios que ladram

nas margens deste barco



lentas mas breves estas águas

quebradas no olhar

nas arestas do vento

antes que ardam

os pássaros na folhagem



ou sacudam o corpo

para o mar

Domingo, 27 de Abril de 2008

A MINHA JANELA

foto de Paulo Azevedo






SUBI TODOS OS DEGRAUS

DO TEU OLHAR

SÓ PARA TE VER

DAS ESCARPAS



ENQUANTO SUBIA

O TEU OLHAR DERRAMAVA-SE

NO MEU CHÃO



QUANDO CHEGUEI

AO MASTRO MAIS ALTO

ONDE SÓ O VENTO

E ALGUMAS AVES SE ATREVEM

DESCOBRI UM SECRETO RUMOR

A MARESIAS



NA VERDADE O TEU OLHAR

RASGADO POR SOBRE O RIO

ERA A MINHA JANELA



DESMORONADOS OS ACESSOS

POR LÁ FICÁMOS A RESPIRAR

O SILVO DOS BARCOS

Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

25 DE ABRIL - 6ªFEIRA - LISBOA